segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MÊDO É CULTURA ?

Do sempre iluminado, Divaldo Pereira Franco, colhi uma de suas tantas pérolas: "A cultura do mêdo que se instalou no início deste século para difundir estranhas profecias de finais dos tempos." Está repleto de razão o nosso mestre. Não há um só dia na vida da gente desde que multiplicou-se exponecialmente o acesso à Internet, que não chegue a minha caixa postal um número expressivo de mensagens propagadoras do "mêdo"! É bebida que não presta, remédio que danifica, cadeira de cinema com agulhas, golpes dos mais variados, estacionamentos de shoppings com Vans de malfeitores, elevadores, caixas de leite recicladas, hamburguer de minhoca, refrigerantes carcinogênicos, etc, etc, etc ... A quem tudo isso aproveita . É uma série imensa de NÃO FAÇA ISSO, NÃO FAÇA AQUILO, NÃO COMA, NÃO BEBA . Até mesmo as inocentes correntes de oração difundem o mêdo: o medo de não ter, o mêdo de não ser . Vai daí que quem gosta de pensar e raciocinar um pouco mais adiante pode simplesmente deduzir , alheio as tantas conspirações da moda, que fora o tempo gasto em ler tanta inutilidade, nada mais resta. Mas é fato que os impressionáveis de plantão são , à guisa de um cálculo matemático básico em relação ao número de acessos mediatos à web, dezenas de milhões. Entre tantos, crianças e adolescentes cujo imediatismo da vida é calculado pelo número de msg, posts, torpedos, twitters que conseguem enviar e receber no espaço de tempo em que permanecem acordados. Sim , MÊDO é cultura, e não é de hoje. Difundir o mêdo é um dos tantos modos existentes desde a existência da palavra escrita e a partir de Guttemberg, publicada, que se utiliza para manipular a vontade do outro. Toda religião fala de mêdo. Alguns irão dizer: - Mas fala de amor também. E existe amor sem mêdo? As reações físicas que se experimenta em ambas as situações não são absolutamente iguais ? E a indagação seguinte é: O ser destemido pode amar alguém ou algo ? Não nesse mundo eu concluo. O amor traz apego, tanto ao material como ao imaterial e nesse espaço preenchido de mêdo, acaba não sobrando lugar para a evolução racional e sistemática. Amar é ótimo, mas como seria amar quando se chega ao passo seguinte da evolução ? O amor incondicional. O amor universal. Deixamos de ter mêdo quando a razão para tê-lo se desvanece na maioria absoluta dos casos, justamente quando se manifesta o nosso lado racional e pragmático. Ninguém perde o mêdo por coação, por determinação superior ou por vontade de terceiro. O mêdo deixa de existir justamente quando equilibramos a equação da nossa razão com a incógnita do futuro, cujos dados são representados pelo conhecimento acumulado por toda uma existência. Já dizia o ditado: " tem mêdo mas não tem respeito" . Porque é mais fácil ter mêdo. Respeito é conquista e consciência, apesar dos enganos comuns, não há convivência entre os dois por óbvias razões. Nesse embalo utópico, por sinal, é que se deveria fomentar uma nova cultura. A cultura do Respeito, começando pelas coisas mais elementares das relações humanas e indo até ao respeito universal à toda forma de vida e seu direito de co-existir em harmonia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário