sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
PEQUENAS HISTÓRIAS, GRANDES ADVOGADOS
Já há algum tempo, tive a ideia de reunir, com os colegas "de mais experiência" do que eu, as boas histórias de advogado que nos fazem lembrar o que nos fez um dia optar por essa digna profissão. Mas para nós , escritores ficcionais amadores, o propósito da obra tem um quê de metafísico e ao mesmo tempo de realidade. Quantas e boas histórias já não ouvimos ou , participamos e que na roda dos amigos sempre arrancam sorrisos, algumas, gargalhadas outras tantas e nostalgia, quase todas. Por falar em nostalgia, nunca em minha vida poderia imaginar que me rotulariam, algum dia de "bonachão", pois foi o que eu soube dias atrás: - O Zico ? É aquele ali, o bonachão ... Vai daí que a minha famosa paciência me transformou no típico ouvinte, qualidade (olha a modéstia) que cultivei nos dias que passei com meu avô Danilo Bernardi, cuja a veia para contar uma boa história, recheada de datas, horários e locais que a sua privilegiada memória faziam-me transportar no tempo há uma Porto Alegre que só vemos por fotos tão antigas quanto a própria Capital. Mas, infelizmente, no meu DNA, não herdei àquela memória fabulosa e penitencio-me por ter perdido algumas histórias deliciosas. Esse carinho e respeito pela tradição da memória oral, que muitas vezes coçou-me os dedos para sair registrando as histórias dos colegas que mesmo não sendo "de banca", tinham verdadeiros arsenais de situações vivenciadas em anos de prática forense, a essência da expressão "esfregar a barriga no balcão". Então , fazendo a minha parte para demosntrar aos colegas mais novos uma época em que o Advogado, trazia no seu semblante o orgulho da profissão e cercava-se da mais pura camaradagem com os outros profissionais da área (hoje operadores do direito), vou à caça dessas boas histórias.
sábado, 5 de dezembro de 2009
O CANSAÇO DOS BONS (PRINCÍPIOS)
Recebi um texto escrito por Ricardo Gondin, a quem não conheço mas profundamente revelador de um sintoma que detecto em alguns amigos advogados e companheiros de caminhada. O cansaço da luta pela ética e pelos bons costumes - pelos princípios básicos da convivência harmônica do ser humano em sociedade. Pertenço à geração que ouvia já nos idos do que se chamava estudo primário, entre 1970 e 1978, que nós seríamos o futuro do País. Lembro-me da ocasião em que comemorávamos a semana da Pátria, hasteando a bandeira e cantando o hino nacional (recentemente parece que arqueólogos sociais descobriram que amar a pátria e cantar o hino faz bem a construção de um caráter cívico nas crianças) até usávamos um crachá verde-amarelo na lapela durante àquela semana e à guisa de ouvirmos no pátio do colégio o discurso de alguma "autoridade" - a direção do colégio catou na rua o primeiro brigadiano que passava. O discurso foi breve , e o contexto, lembro-me bem, foi que nós crianças "éramos o futuro do país e deveríamos tomar muito cuidado ao atravessar à rua". Isso mesmo. O que mudou até hoje? A geração que iria mudar o País assiste a irremediável derrocada dos princípios éticos e morais para o convívio em sociedade e em relação ao trânsito teve que aprender que álcool e direção são ingredientes que não se combinam. Nos remetemos e-mails mostrando como éramos felizes sujando nossos pés na rua, jogando bola até à noite assitindo programas de TV cujo grau de malícia existente, comparados aos de hoje, para o mesmo público, não bateriam aos teletubies (com conotação afrescalhada e tudo mais). Se bem que até hoje me pergunto como a censura , cujo slide aparecia sempre no início de cada programa, permitia que as crianças assitissem a mortandade de índios nos filmes de faroeste ? Sim , que os índios eram todos maus. Índio bom era àquele que andava junto com o mocinho, brigava ao lado do mocinho, mas na hora das refeições e de dormir, ia para junto do cavalo. Enfim, prendemos nossos filhos em casa, na frente do computador, centenas de especialistas na TV, sobre tudo, realitys shows até das pulgas do cachorro da Ivete Sangalo e tudo o que fazemos é nos lamentar e esperar que alguém mude o que está aí. Mas nossos líderes, ou pelo menos os que pensávamos serem, ou se corromperam, ou estão cansados. Porque a indiferença cansa, o deboche cansa, a ironia cansa e a vida que nos resta querem que usemos para beber, cair e levantar. Eu , pelo menos, ainda não caí - e quem cair do meu lado, eu levanto, nem que seja prá tirar do caminho.
sábado, 21 de novembro de 2009
PRÁ INÍCIO DE CONVERSA
Como já dizia o poeta, "variações do mesmo tema sem sair do tom" equivale a primeira postagens de tantos quantos já passaram por esta experiência de relacionar-se com o mundo virtual através de um blog. Por muitos anos, tive verdadeiro pavor de ser óbvio, o que redundaria em ser comum, ser o mesmo, não ser original - conceito que com o avanço da idade me fez pensar em coisas mais interessantes para se preocupar, principalmente com o fato de que na velocidade em que vivemos, a síntese passou a ser padrão e o desenvolvimento de idéias e raciocínios virou sinônimo de lentidão. Nada melhor, portanto, para a difusão da mediocridade que um terreno em que se proliferem os irônicos de plantão, os descolados, os debochados, os intelectualóides que pretendem fazer graça em tudo que escrevem. RESPEITO É LEGAL tentará difundir a idéia, democrata por sinal, de que ao direito de falar corresponde a obrigação de ouvir, de que a verdade aparente não é "a verdade" de um mas um anseio dela apenas e que meias-verdades, são ética e moralmente indefensáveis , pelo menos no meu ponto de vista. De outra feita, é disso que se trata também, pontos-de-vista (continuo hifenizando) , convicções e a defesa delas. O debate, a troca de idéias, o livre convencimento e até mesmo a defesa apaixonada, são demonstrações de questionamentos cuja única regra geral para estabelecer-se a finalidade de um propósito benéfico a todos é: RESPEITO
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