sábado, 5 de dezembro de 2009
O CANSAÇO DOS BONS (PRINCÍPIOS)
Recebi um texto escrito por Ricardo Gondin, a quem não conheço mas profundamente revelador de um sintoma que detecto em alguns amigos advogados e companheiros de caminhada. O cansaço da luta pela ética e pelos bons costumes - pelos princípios básicos da convivência harmônica do ser humano em sociedade. Pertenço à geração que ouvia já nos idos do que se chamava estudo primário, entre 1970 e 1978, que nós seríamos o futuro do País. Lembro-me da ocasião em que comemorávamos a semana da Pátria, hasteando a bandeira e cantando o hino nacional (recentemente parece que arqueólogos sociais descobriram que amar a pátria e cantar o hino faz bem a construção de um caráter cívico nas crianças) até usávamos um crachá verde-amarelo na lapela durante àquela semana e à guisa de ouvirmos no pátio do colégio o discurso de alguma "autoridade" - a direção do colégio catou na rua o primeiro brigadiano que passava. O discurso foi breve , e o contexto, lembro-me bem, foi que nós crianças "éramos o futuro do país e deveríamos tomar muito cuidado ao atravessar à rua". Isso mesmo. O que mudou até hoje? A geração que iria mudar o País assiste a irremediável derrocada dos princípios éticos e morais para o convívio em sociedade e em relação ao trânsito teve que aprender que álcool e direção são ingredientes que não se combinam. Nos remetemos e-mails mostrando como éramos felizes sujando nossos pés na rua, jogando bola até à noite assitindo programas de TV cujo grau de malícia existente, comparados aos de hoje, para o mesmo público, não bateriam aos teletubies (com conotação afrescalhada e tudo mais). Se bem que até hoje me pergunto como a censura , cujo slide aparecia sempre no início de cada programa, permitia que as crianças assitissem a mortandade de índios nos filmes de faroeste ? Sim , que os índios eram todos maus. Índio bom era àquele que andava junto com o mocinho, brigava ao lado do mocinho, mas na hora das refeições e de dormir, ia para junto do cavalo. Enfim, prendemos nossos filhos em casa, na frente do computador, centenas de especialistas na TV, sobre tudo, realitys shows até das pulgas do cachorro da Ivete Sangalo e tudo o que fazemos é nos lamentar e esperar que alguém mude o que está aí. Mas nossos líderes, ou pelo menos os que pensávamos serem, ou se corromperam, ou estão cansados. Porque a indiferença cansa, o deboche cansa, a ironia cansa e a vida que nos resta querem que usemos para beber, cair e levantar. Eu , pelo menos, ainda não caí - e quem cair do meu lado, eu levanto, nem que seja prá tirar do caminho.
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