quinta-feira, 20 de março de 2014

RECALCULANDO A TRAJETÓRIA

Madrugada do dia 18 de fevereiro de 2014. Me acordo com o título do texto em mente, me mandando escrever sobre o que virá. E foi com a voz da mulherzinha do GPS que acordei, e como muitas vezes nesses L anos, a madrugada que acoberta os movimentos e sons noturnos retorna, parceira da inspiração que me impede de dormir sem antes terminar a tarefa de escrever. Fato é que muitas vezes o turbilhão de idéias praticamente me derruba da cama e não raro, o que parecia "brilhante", de manhã, ao acordar, não sustenta sequer o reflexo de uma boa ideia. Textos são, seguramente, a prova cabal da existência do túnel espaço/tempo e sem sequer conhecermos uma parte infinitesimal de física, dobramos o universo, as cordas, a toca do coelho, dentro do meio de transporte mais rápido que existirá: o nosso pensamento. A ideia pronta e acabada de já ter chegado lá, aonde se quer. Então, de repente, L anos. Cheguei aqui. E a visão ao olhar ao meu redor, é admirável. A profusão de lembranças nesse momento, imaginem, é avassaladora - e no entanto não sinto nostalgia, pelo contrário, sinto uma infinita curiosidade de como estarei vivenciando as experiências dos próximos anos. Sentir saudade é lugar comum, e é também um capítulo especial. Memórias boas, que fazem rir a alma. Outras, por tristes, são consoladas em um tempo em que o discernimento espiritual ainda não havia amadurecido. Tudo se torna especial, até mesmo os momentos aflitivos, os momentos de dúvidas e incertezas, até mesmo desespero. E como uma página que se vira, não estão mais lá. A correnteza incessante de momentos agora é um redemoinho e posso sentir fisicamente, temperaturas, gostos e cheiros de experiências há muito esquecidas. Estou feliz e tranquilo também, porque tenho consciência de que os erros que cometi em algum desses momentos, foram inequivocamente, despropositais. Há barulho lá fora e a realidade me retira a autorização de continuar viajando.

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